Sem uma mão, servidora do DF faz artesanato para complementar renda

Jéssica Acácio nasceu com uma má-formação na mão direita.
Ela é servidora, advogada, artesã e mãe do João Miguel, de 2 meses.
Ela é servidora pública, formada em direito, faz artesanato para ganhar dinheiro extra e é mãe de um menino de dois meses. O fato de ter apenas a mão esquerda não atrapalha o dia a dia da brasiliense Jéssica Acácio, de 24 anos. “A deficiência nunca me limitou a nada, pelo contrário, me fez superar meus limites físicos e psicológicos.”


A moradora de Vicente Pires nasceu com uma má-formação na mão direita e desde criança supera dificuldades e preconceitos. “Já cansei de ouvir que sou tão linda e que é uma pena que eu não tenha uma mão. Também já disseram que a minha mão esquerda é bonita e que deve ser ruim ter a outra ‘aleijada’. Não gosto que as pessoas tenham dó de mim, não me vejo menos favorecida só por conta de uma mão”, diz.

Desde pequena, Jéssica aprendeu a fazer tudo sozinha. Segundo ela, a mãe a ensinou a amarrar o cadarço antes dos colegas de escola aprenderem, a escovar os dentes, lavar louça e pentear os cabelos. “Quando eu era bem novinha ela me dava balas e chocolates ainda com a embalagem e eu tinha que me virar para conseguir abrir. Se não fosse a minha mãe, não seria tão independente.”
A paixão pelo artesanato surgiu aos 9 anos. “Sempre gostei de criar coisas. Foi então que pedi para o meu pai me inscrever em um curso de bijuterias. Ele não deixou, ficou com medo que eu não conseguisse e acabasse me frustrando.” Mesmo com a falta de aprovação do pai, a mãe de Jéssica a levava todos dias para um curso de artesanato em Ceilândia, que tinha adultos e crianças como alunos.

A habilidade da menina – que chegava a fazer três peças em uma hora de aula – surpreendeu a todos, inclusive a professora. “Aprendi a fazer coisas lindas como brincos, colares, arranjos de flores e até enfeites de decoração. Enquanto as pessoas demoravam uma hora para fazer um anel, por exemplo, eu fazia em minutos. Aos 12 anos comprei um celular com o dinheiro do artesanato.”
Aos 19 anos, Jéssica parou de se dedicar exclusivamente ao artesanato. Estudou sozinha durante nove meses e passou em um concurso público, onde é agente administrativa. Logo depois, prestou vestibular para o curso de direito e conquistou o diploma de ensino superior neste ano. Aos 24, ficou noiva e deu à luz a João Miguel.

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“Como meu noivo só chega à noite em casa, faço tudo sozinha com o João Miguel. Amamento, troco fralda, coloco roupinha. A única coisa de que ainda tenho receio é de dar banho nele, porque é preciso apoiar o neném em uma mão e lavá-lo com outra. Mas vou me virando.”
Para ganhar um dinheiro extra, Jéssica faz 20 brincos de renda por dia que custam de R$ 10 a R$ 40. Ela chega a faturar R$ 800 por mês. “Tenho clientes mas também sempre divulgo o serviço pelas redes sociais. Muitas ficam surpreendidas com a minha deficiência e dizem que não conseguem fazer o que eu faço mesmo com duas mãos.”
Segundo Jéssica, a limitação está na cabeça das pessoas. Dificuldades aparecem, mas há sempre uma oportunidade para se redescobrir, diz. “Malho, dirijo, faço tudo. Claro que é difícil cortar carnes, por exemplo, mas não vou ficar me lamentando por isso. Até esqueço que não tenho uma das mãos”, brinca.

Fonte: g1.globo.com


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